Ainda que triste sinto com frieza o vento passear por meu rosto. Consigo foi minha esperança e contigo veio minha tão merecida calma. Ainda dói ver o que em mim já é passado, ainda pula no meu peito aquele resto seu e vai continuar pulando até que você venha e o pare. Daqui a poucos dias será um novo ano, mas quase tudo em mim continua velho. Quem dera ter com força aquela antiga esperança, quem dera ter com força sua presença. Logo a mim que sempre fui tão sereno, o destino inventou de me testar. Logo eu que sempre senti ao máximo a diferença. Ta tudo passando e misturando, agora não sei mais quem passou e quem é pedra. A boca que tanto supliquei e a que me suplica são uma coisa só. Como pode meu Deus fazer isso? A culpa disso tudo não é minha, não sou réu e meu chão não é céu. Tudo queimando em mim.E cansado de mim registro tudo pra um dia ver que vivi, que toquei a vida sem luvas, sem capas e vi a morte sentar-se ao meu lado pedindo um pouco de paz.
Não quero ser pra você uma fase como dessas da lua. Quero ser sua ferida aberta. Deixar cicatriz e de preferência nunca cicatrizar, não para causar dor, mas sim prazer, que por Deus, só vivendo pra sentir.
Te fiz chorar hoje, perdão. Atrás de minha palavra rouca e firme é que está toda a doçura que só você consegue ter e ser.
Formou-se sobre todas as águas, todos os tempos a sombra da suprema felicidade. É como se eu estivesse puro, no tal estado agudo de felicidade. Se inventarem amor maior que o seu é porque não existirá mais amor. E é de amor que você vai morrer, de mãos dadas a mim, a Deus e aos filhos que nunca poderei te dar.
Era pra ser daquele jeito, da vulgaridade nasceu isso, e feliz daquele que tiver um amor vulgar e cru.
O amor começando da própria raiz é singularmente vulgar. Vulgar mesmo é quem nunca amou e se embrutece com isso.
Eu estou feliz e irei amar mais do que posso, pra aproveitar ao talo o prazer. Andar por todas as montanhas e do bem alto cair, pra na queda encontrar o ápice de tudo, o começo de tudo, sem qualquer lógica e esquecimento.
Mão atadas Olhos vedados Água salgada Circo armado
A rosa branca beirava o mar Nossa transa beirava o mar As oferendas beiravam o mar Já o mar nada beirava
Parado fiquei entre mim e você Entre a misericórdia e a solidão Entre nós e o não existirmos Assim pude ficar Não mais que caído No seu peito maciço No seu corpo dourado No seu braço flechado Apenas meu rosto parado Debruçado Recortado Nem por tesouras nem por quadrados Nem por marujos nem por soldados
E Deus riu
O menino acendeu o cigarro E perguntou aquilo Respondi quase calado: -Quantos amigos?
Quase me despedi para sempre Eram tristes e realizados seus olhos, já os meus eram cegos e enganados Foi ali mesmo entre os batentes da rodoviária que aprendi a ser único e só Aprendi que você não é Deus e eu não sou o cão Simplesmente passei a crer que minha vida não passa de um rosto Fiz como Iemanjá e devolvi todos os presentes Negando seu pedido mudo de perdão
Como se num lapso despertasse Passei a ver morte nos olhos viris Nos olhos viris vi até mesmo meus olhos Meus lábios e meu respeito Vi a sombra suplicar calor E hei de ver a mudança da muda Pra rua da esquina Pro quinto dos infernos
Passei a sonhar o que em mim era sonho Despertei o sonho em mim Não sendo infinito Caí em desordem E por mim que não levante.
Ciente da situação
A par do desejo
Seu beijo...
Que perfeição!
Uma rima pro próximo poema
Já está no esquema
Frente só
Verso nunca mais
Quem sabe eu vá de vez
E se eu voltar
Vou rabiscar seu medo
Clarear o joelho
Exibir a ponta do nariz
Vermelho
Palhaço da vida
Inteligencia ferida
Mulher parida
Assim eu sou
De tudo um pouco
Do pouco um nada
Fundo sem tela
Pintura abstrata