Dama da Noite


Na tela da parede
Junto à pintura borrada
Enxerguei minha cara
Recém dada a bater
Enxerguei meu medo
Meu principio destruído
Tudo virou desejo
Espelho invertido
Mostrando que sou feliz
Gritando ao pé do ouvido
Quem dera, Jesus Cristo
Ser poeta a vida toda
Sem que fosse magoada pelo destino
Quem dera ser amada
Sem o exílio
Do coração
Malditos conflitos
As conversas de político
Revelando sua podridão
Jamais terá meu perdão
Você levou minha fé
Minhas testemunhas
Minha alegria
Só deixou a saudade
Imunda
Volte pra sua oriunda
Já que me considera puta
Vou ser puta da vida
Porque esta me tem o tempo todo
E me faz da puta sem dono
A dama feliz
Rainha dos escombros
Faz-me do tempo, amigo.
Do charlatão um parente distante
Ficando só comigo
O troco da passagem
Realidade
Orbitante
Vestida no meu organdi
Vermelho esvoaçante
Vou a rua mostrar pra que vim
Feliz
Envolta a diamantes
Atiro-me
Homens me param
Eu miro
E jogo no peito atento
O beijo encardido
Tudo ao relento
Pobre bandido
Que por mim se apaixonar
Serei sua mulher
Enquanto o dinheiro
Durar
Serei o seu afago
Seu veneno atravessado
Seu tiro engajado
Sua overdose na veia
Dama ou cortesã
Quero é me divertir
Não to mais aqui!

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Deserto

Das coisas que me chamaram a atenção
Muitas são talvez do coração
Além de mim
Não quero ir ao fim
De tudo isso
Só te peço uma chance no quarto
Quero novamente seu sorriso branco
Seu cabelo Crespo
Teu peito
"Jesus" tatuado no braço
Quero novamente suas coxas grossas
Sua cara de descarado
Sua carona no carro
Quero que seja meu homem
E sei que pode dar mais além de calor
Nada ficou intacto
Quero mesmo seu amor
Se é que amas alguém de verdade
Se é que sentes saudade
De outra coisa que não seja sexo
Mandar-te-ei cartas
Em anexo minha fotos
Na dedicatória um breve comentário
Deixando ressaltado
O quanto a vida é linda ao teu lado
O quanto falta de mim em mim
Sem você aqui dentro
Vamos ter um filho
Flamengo será o seu time
Gosto das cores que quase combinam com teu nome
O que me disse foi demais
Vazou
Não pude ficar quieto
Por isso o povo já sabe de nós
E que preparem uma esquina
Iremos passar
Para nosso amor vulgar
Uma dose de cachaça
Para você singular
Belas palavras
Para o orixá
Comida da boa
E é com fé nele
Que em breve você estará
Sentado no meu sofá
Conversando com mainha
Aquela mesma ladainha
O que é o louco e breve espaço de te amar
Não precisa mais me chamar a atenção
Visto que já tem
Não só o coração
Mas o corpo inteiro
A alma também
Por isso é que esnoba
Provido de tanta fartura
Vai embora
Sem nem dizer Adeus
Pedindo a Deus
Um pouco de paz
Pois ser amado
Traz confusão na cabeça
Traz arrependimento da traição
Traz aflição
E é assim que um dia
Hei de morrer de te amar
Hei de te matar de amor
Hei de me cansar
De ter tido pouco
O calor eterno dos teus braços
O sufoco amigo dos teus lábios
O prazer infinito que é estar contigo

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A sós


Atrás da barba grossa

A boca macia

Combinando com o beijo

Molhado e quente

Que é pra dar desejo

Do resto

E inconseqüente

Tirar a roupa

Deixando louca

A paixão veemente

Do nosso sexo

O cheiro forte do seu membro

A quantidade do seu gozo

Melando meu rosto

Sem um pingo de nojo

Que é pra sentir na pele

Seu prazer absoluto

Seu gemido rouco

Seu peito cabeludo

Acalmando-me do mundo

Num simples toque

Profundo

E sem nexo

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Encruzilhada


Galinha preta na encruzilhada

Despacho na esquina

Vem, minha menina

Ajudar esse pobre velho a macumbiar

A limpar a chacina

A Varrer a esquina

O orixá pede licença

O vento quer passar

O bozó a fazer efeito

O calo a saltar

Saravá

Meu Pai

Deixa que tudo cai

Na vida do coitado

Que ali foi jurado

Pra um dia não dar mais no couro

Quando for furar o couro

E de fome morrer

De doente sentar

Jesus tenha pena

Dos que fazem mal

E usam o nome do candomblé

Pra se apoiar

Axé

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A verdade depois da cachaça

Acabei lendo as mensagens.
Definitivamente não sei explicar o que senti ou o que fingir não entender.
Mas é que eu não sei fugir de mim, e fui pra pracinha da sua cidade aturar você e seus amigos chatos.Só me restaram a pipoca microondas e o litro de licor, malditas companhias... E pensar que fui julgado como “frio”, não é do meu feitio não ser eu.

Fui meio que sem querer
Fui meio pra te ver
E chegando lá quase não vi
Aquele amor que um dia guardei
Pra dar de volta
A quem mereceu
Meu amor, você morreu.
Eu acordei pra viver
O sonho que não vivi
E quem sabe eu morra
De felicidade talvez
Porem amando
A mim
Não venha mais
Porque tanto faz
A sua presença maldita
Ou sua mensagem falsa
Querendo almoço
Fingindo ser meu troço
Foi assim que te chamava
Enquanto você conversava
Com seus futuros amores
Suas futuras fodas
Foda-se!
Eu vou sem saber o rumo
Mas é que estou sem prumo
Perto de você
E já que ha de me perder
Que eu me perca sozinho
E feliz
Sem tino
Sem braços
Que é o que mais preciso
Pois você cansou
Da vida
Da diva
Você perdeu meu bem!
O amor que estava saturado
O perdão de Deus, coitado
Um dia vai lamentar
A infeliz troca
Da felicidade
Por sexo banal

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A Língua


Hoje soube algo e isso me inquietou com sofreguidão. Infelizmente descobri que a felicidade alheia depende da derrota dos outros. Sou amado e amo como resposta, mas para o resto isso dói e causa vontade de ser. Ser o que não é e assim por diante acabar. Nosso amor dura e vai durar, se acabar é porque atingiu o êxtase máximo e não pode prosseguir. Seremos amigos pra matar vontade, pra deixar saudade e sufocar o riso, aquele que damos nas conversas cheias de verdade. Relembrar a nostalgia boa, passar o tempo sem fazer nada e ficar com vontade de voltá-lo pra nunca mais acabar o amor que as vezes é passageiro. Que nossas almas se visgem, se amarrotem e criem calos, pra não soltar, pra não fugir, pra matar de amor o amor. Que o nosso coração se rompa de coisa boa, que a minha saúde seja a tua, que você viva pra contar aos filhos que um dia já amou e fez o mais espetaculoso espetáculo: o de me fazer amar outra vez!
Você deu dentes a minha alma e assim ela mesma sorriu, fazendo força pra esbagaçar o rancor. E já não me importa o que dizem, porque o que menos procuro é o que mais acho; o teu silêncio dizendo nas mãos que me ama, e nas pontas dos dedos trêmulas, a resposta pra todas as perguntas.
Como duas coisas que não se separam, estamos nós- tontos de amor no frio do inverno.


Texto antigo mas que tem um significado enorme pra mim.

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Cansado da morte


Já me basta esta sensação de fim

Este suposto sossego

Essa dor no peito

Eu quero sair

Correr pro leito

Do rio

Eu quero fugir da morte

Investigar se Deus existe

E quem quiser que me julgue incrédulo

Ou ateu

Só sei que sou poeta

E definitivamente

Não nasci pra morrer

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