No quarto pequeno A orgia de dois A nostalgia feroz As unhas nas minhas costas As pernas postas Os gritos quase abafados Meu corpo posicionado Na cômodo desforrado pelo acaso Pelo destino Abstrato Fazendo da vida Surpresa Fazendo da vizinha Testemunha Fazendo da calunia Fato Todos os sentidos aguçados E nos cabelos por você esticados A dor transformada em prazer Como eu queria ser Aquele retrato na parede Pra te ver todos os dias E em maresia Tonto do que via Agradecer a Deus O milagre que é O corpo teu Rir do que houvera Como se fosse primavera O calor do verão Como se fosse chama Posto que é vela A sedução Com a qual me ganhara Na cama suada Maltratada pelo nosso movimento Seu membro atento Aos meus sinais Seus pêlos contra os meus Eram rivais Seu gemido avisando Final da guerra Os corpos agora pediam paz E crucificar mais tarde O abandono dos teus lábios A saudade que me consome o tato O olfato Os sentidos Os gritos Aflito jogo os dados E aposto na vida Uma chance talvez Um pouco de solidez Nas palavras escritas Nas rimas Pra contrastar com a fraqueza Que você me trás Pra encarar sua beleza... Eu quero mais!
Na tela da parede Junto à pintura borrada Enxerguei minha cara Recém dada a bater Enxerguei meu medo Meu principio destruído Tudo virou desejo Espelho invertido Mostrando que sou feliz Gritando ao pé do ouvido Quem dera, Jesus Cristo Ser poeta a vida toda Sem que fosse magoada pelo destino Quem dera ser amada Sem o exílio Do coração Malditos conflitos As conversas de político Revelando sua podridão Jamais terá meu perdão Você levou minha fé Minhas testemunhas Minha alegria Só deixou a saudade Imunda Volte pra sua oriunda Já que me considera puta Vou ser puta da vida Porque esta me tem o tempo todo E me faz da puta sem dono A dama feliz Rainha dos escombros Faz-me do tempo, amigo. Do charlatão um parente distante Ficando só comigo O troco da passagem Realidade Orbitante Vestida no meu organdi Vermelho esvoaçante Vou a rua mostrar pra que vim Feliz Envolta a diamantes Atiro-me Homens me param Eu miro E jogo no peito atento O beijo encardido Tudo ao relento Pobre bandido Que por mim se apaixonar Serei sua mulher Enquanto o dinheiro Durar Serei o seu afago Seu veneno atravessado Seu tiro engajado Sua overdose na veia Dama ou cortesã Quero é me divertir Não to mais aqui!
Das coisas que me chamaram a atenção Muitas são talvez do coração Além de mim Não quero ir ao fim De tudo isso Só te peço uma chance no quarto Quero novamente seu sorriso branco Seu cabelo Crespo Teu peito "Jesus" tatuado no braço Quero novamente suas coxas grossas Sua cara de descarado Sua carona no carro Quero que seja meu homem E sei que pode dar mais além de calor Nada ficou intacto Quero mesmo seu amor Se é que amas alguém de verdade Se é que sentes saudade De outra coisa que não seja sexo Mandar-te-ei cartas Em anexo minha fotos Na dedicatória um breve comentário Deixando ressaltado O quanto a vida é linda ao teu lado O quanto falta de mim em mim Sem você aqui dentro Vamos ter um filho Flamengo será o seu time Gosto das cores que quase combinam com teu nome O que me disse foi demais Vazou Não pude ficar quieto Por isso o povo já sabe de nós E que preparem uma esquina Iremos passar Para nosso amor vulgar Uma dose de cachaça Para você singular Belas palavras Para o orixá Comida da boa E é com fé nele Que em breve você estará Sentado no meu sofá Conversando com mainha Aquela mesma ladainha O que é o louco e breve espaço de te amar Não precisa mais me chamar a atenção Visto que já tem Não só o coração Mas o corpo inteiro A alma também Por isso é que esnoba Provido de tanta fartura Vai embora Sem nem dizer Adeus Pedindo a Deus Um pouco de paz Pois ser amado Traz confusão na cabeça Traz arrependimento da traição Traz aflição E é assim que um dia Hei de morrer de te amar Hei de te matar de amor Hei de me cansar De ter tido pouco O calor eterno dos teus braços O sufoco amigo dos teus lábios O prazer infinito que é estar contigo
Ciente da situação
A par do desejo
Seu beijo...
Que perfeição!
Uma rima pro próximo poema
Já está no esquema
Frente só
Verso nunca mais
Quem sabe eu vá de vez
E se eu voltar
Vou rabiscar seu medo
Clarear o joelho
Exibir a ponta do nariz
Vermelho
Palhaço da vida
Inteligencia ferida
Mulher parida
Assim eu sou
De tudo um pouco
Do pouco um nada
Fundo sem tela
Pintura abstrata