Cais da Língua

Resolvi sair de preto hoje
Sem as armas de Jorge
Sem as malas de Bete
Com as relíquias no peito
Preto-lembrança
preto-saudade
Preto-verdade

Tudo passado púrpura
Marcadores: 8 comentários | edit post
Cais da Língua

Parei um pouco e sucumbi-me
Visto que era apenas sombra e morte
Depus a pintar-lhe o álbum de fotografias
Cada uma com sua pesada lembrança
Acomodada no sorriso frenético do palhaço
Esquecida na poeira asmática.
Cais da Língua

Pare com o abismo
Tome o rícino
De dentro do peito
De fora da alma
Pra você absurdo
Qualquer coisa queimada
Qualquer folha arrastada
No sol
Nos faróis do carro
Que tu amas e goza sem frescor
Cais da Língua

Faltam-lhe alguns dentes
Faltam-me alguns fios

Tudo preso na sua idade
Tudo solto em mim


Quero um colar de bolinha
Nada muito fresco
Dentro de um frasco
Com acabamento vermelho

Da cor do nosso céu
Cais da Língua

Enquanto o sono não chega
O que resta é juntar-me ao mundo
Na palavra escrita
Na risada dita por mim
E por mim que eu não durma
Vou continuar a juntar-me ao mundo
[Que é o meu portão]
Marcadores: 9 comentários | edit post
Cais da Língua

Pra você meu bem

A raiz do mundo

A raiz do dente

Qualquer que seja a raiz

É pra você meu bem


Marcadores: 6 comentários | edit post
Cais da Língua

l

No desafio da vida talvez a luta não te compreendesse
Mas é que você já não me santifica mais
Queria seu passado sem frestas
Agora vejo fotos felizes e morro na boca do destino
Costurado a farpas e ferros
Na carne
No osso


Que venha a vermelhidão dos lábios
Sinal de mudança
Resquício da alma
Contato com o Deus
A morte seria um quebra-cabeça?!

Eu sou, pedra no mundo
escarlate em seus olhos

Nem vejo mais fúria
só o desdém apático da sua sombra
Maltrapilha
vertiginosa e simples
como se a casca pensasse ser forte
Como se eu fosse ela


ll


o terço acompanha a missa
perdão te fiz, amor
perdão te peço amor
quero seu peito
cravado na cama
feita de fios
e rasga mortalhas